Pois bem, vou postar mais uma parte do livro A árvore dos sexos que acredito ser interessante e para engrenar ainda mais nessa onda de viagens e mais viagens.
O dono da pensão onde Maluf se hospedava dizia que não era a primeira vez que acontecimentos como aquele ocorriam em Bondomil, pois então contou um de seus casos a Maluf, e era mais ou menos assim:
(...)- O homem, um tal Rogélio, femeeiro como outro não havia por estes lados, tinha propriedades numa margem e noutra da fronteira. (...) Rogélio era uma figura distinta, quase lendária. (...) era solteiro, tinha dinheiro, sabia viver a vida, pedaço a pedaço e sempre o melhor. Possuía uma carruagem puxada a dois belos cavalos e era vê-lo correr as estradas, a lanterna varrendo as sebes, as vinhas, o arvoredo. Isolado, lá na frente, o cocheiro sabia que o patrão adorava fazer amor pelos caminhos, aos solavancos. E algumas moças sabiam também que era poético perder assim uma virgindade, numa noite de inverno, a chuva fustigando o tejadilho, impiedosamente, o vento soprando contra a portinhola, os cavalos relinchando no escuro, as rodas saltando nas pedras, os estremeções obrigando o par a apertar-se mais e mais sob as mantas grossas de lãs. Os gemidos apagados deviam confundir-se com a fúria da noite. Você está vendo a cena? A corrida para o prazer, os cavalos libertando o seu bafo, o cocheiro insensível, embrulhado na capa, o capuz para os olhos, a vertigem de uma fuga que não era fuga, os cascos ferindo os seixos, soltando faíscas que confundiam com as outras, as de lá de dentro, as de cá de fora, de ambos os céus, o trovão a rolar pela montanha abaixo. Depois um sono breve, arrastando o gozo.
(...)Chamavam-lhe a carruagem do amor. E na primavera surgiam sempre mulheres que lançavam mãos cheias de flores por cima do carro. Era uma espécie de oferenda para o futuro. Como se essas mulheres dissessem: “Aí vão já as ânsias do meu corpo”
(...)- Mas um dia sucedeu uma tragédia. Andava Rogélio pelos trinta anos. Tudo o que em si fora virilidade desabara de um instante para o outro. A principio julgou tratar-se de cansaço momentâneo, fastio ocasional. Mas em breve, possivelmente horrorizado, viu que a desgraça era definitiva. A carruagem deixou de voar pelos caminhos, as moças esqueceram-no. Ele próprio fugia ao seu encontro, optando por viver do lado de lá do rio. E numa noite de inverno, era o mês de janeiro, Rogélio dirigiu-se ao jardim. Foi o seu último passeio. Sem carruagem, sem moças, sem amor. Sozinho e a pé. De manhã encontraram-no enforcado na biloba. As mulheres desde aí, passaram a fazer a festa da árvore numa espécie de alegoria pagã, anual. (...) cantavam dançavam e depunham flores à volta da biloba, pedindo-lhe que esta lhes proporcionasse o milagre de ter filhos. Criara-se o meio de que a árvore exercia efeitos mágicos no organismo, contrariando a fenomenologia da esterilidade.
(...)Tinham se passado cem anos, e no dia em que se deveria realizar a festa a biloba começou, num gesto de represália, a dar esses pequenos sexos, viçosos, como se quisesse, primeiro vingar-se, e depois homenagear aquele que se enforcara por ter deixado murchar seu próprio fruto.
Olha eu sou do tipo que acredita sim em lendas e histórias, e essa foi bem feita hein, vai saber se não é por esse motivo que a árvore da esses frutos. Rsrsrsrsrsr
Até mais queridos!

Nenhum comentário:
Postar um comentário