Eu posso lhe dizer que cresci em um lugar onde as crianças brincavam na rua, andavam descalças, não importavam-se se sujas estavam ou se o cabelo era mal jeitoso e não brincavam de ser adultos, muito menos faziam de sua infância algo sem graça e insignificante.
Hoje não se vê o jogo de pião, nem meninas de doze anos brincando de bonecas ou até mesmo jogando pião com meninos. O que se pode ver hoje em dia são meninos brincando de dar peões em meninas ainda bonecas.
Obvio que ninguém é digno em dizer como deve-se ser uma criança, como ela deve brincar e como ela deve crescer.
Falando essas coisas até parece que nasci em uma época onde as crianças não viam tv, não tinham internet nem vídeo-games, acontece que eu pude e soube escolher em o que brincar como brincar e não quis ser adulto em uma fase da qual muitos desejariam voltar e fazer diferente.
Meus pais? Sim me deram tudo o que eu quis, porém me ensinaram o valor que cada um tem e o valor das coisas mais simples da vida, como por exemplo, dizer obrigada e sorrir singelamente para olhos que transmitem dor.
Sentir o perfume das flores tocando a pele já não é para muitos, muito menos para crianças que nem sabem o significado que uma possui.
Um balanço sobre uma árvore já nem excita mais pois o que é um balanço sobre uma árvore sendo que existem parques com brinquedos muito mais altos, e o melhor, você nem precisa fazer esforço algum para sentir qualquer adrenalina.
Porém a calmaria da brisa te tocando e as folhas rastejando o chão em barro onde fica?
Crianças não sabem o que querem, pois o que vivem é pouco, à pessoas com idade estendida e também não sabem o que querem, mas sabem o que não querem. Com crianças é mais ou menos assim, não sabem o que querem, porém querem aquilo que não sabem.
Dói a alma e os olhos ver a situação em que vivemos, não generalizando pois ainda existem crianças distintas e o melhor, ainda existem pais que salvam suas crianças pena que são poucos os que vivem pela delicadeza das flores e pelo perfume que elas tem.
Nenhum comentário:
Postar um comentário