Olá meus queridos, enfim cheguei ao final do livro A árvore dos sexos, e como o assunto do livro não foi de mudar muito.
A árvore não parava de gerar frutos em forma de genitálias masculinas e isso causava ainda mais polêmica em Bondomil, aquela cidade pacata já não era tão pacata assim.
E como um nada as mulheres de Bondomil começaram a sentir as dores do parto, foi um tremendo auê, pois a curiosidade ainda permanecia, o que nasceriam das mulheres? Seriam aberrações? Crianças normais?
(...)Poucas foram as pessoas que assistiram ao espetáculo breve e insólito, pois, a partir das oito, a tempestade recrudesceu e o que momentos antes fora um fantasma incrível arrancado à cena de uma peça irrisória transformou-se no corpo flexível de um bom gigante, bizarramente vestido de branco, maldosamente capturado, que dilacerava a túnica, perfurando-a com os braços, os dentes, as pernas, toda a sua força representada.(...)O certo é que hora a hora as dores aumentavam e o grande medo também. (Só o medo torna os heróis normais).
-Vão nascer milhares de monstros! – roquejava a velha que se assemelhava a um galo de Barcelos com a crista vermelha espiritualizada, grávida também, para mal dos seus esporões.
(...)À anedota sucedeu-se o comentário crítico, a ponderação cientifica. Melhor: sucedeu-se o silêncio da ignorância. Nos laboratórios, o fruto da biloba foi laminado e observado através dos microscópios modernos. Fizeram-se as mais perfeitas análises químicas. Uma macaca ingeriu um dos espécimes (resultado: prisão de ventre).
Pois bem, Maluf receberá então a ligação de Angélica sua amada que por vez também estava grávida, e Angélica dizia assim:
(...) – Foi de súbito, querido...- dizia ela- após uma dor imensa... Uma coisa muito estranha... Uma diminuição de peso e de volume. Um conforto...
-Um alivio- suspirou Maluf, entusiasmado.
-Isso mesmo.
“O alivio que eu senti, também”, pensou. “Como se também eu estivesse grávido e de súbito abortasse, sem processos violentos, sem perigos, por um mero passe magnético...”
(...)-E ao mesmo tempo, querido, senti uma grande ternura. Porque foi como se eu te tivesse tido todo este tempo dentro se mim...
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